sábado, 21 de novembro de 2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Bíblia e música aproximam povos e religiões

É interessante ver como as páginas da Bíblia são um património comum, um lugar de comunhão e unidade, onde as várias tradições cristãs se encontram”, afirmou o Pe. José Tolentino Mendonça na estreia do disco «Silêncio», que ocorreu em Lisboa.

Em entrevista ao programa ECCLESIA, o poeta e tradutor destacou o contributo que as aproximações ecuménicas à Sagrada Escritura podem oferecer à unidade dos cristãos: “Vale a pena tornar a Bíblia fecunda e presente na criação contemporânea, percebendo como a sua leitura feita pelos grandes compositores é um elemento de aproximação dentro das igrejas cristãs”.

“Penso que cada Igreja tem um contributo a dar, uma leitura e sensibilidade próprias, que são transportadas para a criação musical”, observou o director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

Com o projecto «Silêncio», o Departamento do Património Histórico e Artístico da diocese de Beja procurou estabelecer diálogos e reduzir distâncias no domínio ecuménico e na relação entre a Igreja e a arte contemporânea, recorrendo à Bíblia e à música, referências intemporais no contexto da espiritualidade e da arte.

Para o director daquele Organismo, José António Falcão, “a Bíblia é um livro que temos que redescobrir cada vez mais” e “a música é uma linguagem universal que rompe barreiras, que consegue ultrapassar as limitações e que vence a geografia”.

“Durante muito tempo existiu um fosso entre a Igreja e os criadores. A nossa preocupação é que os artistas contemporâneos nos ajudem a dar nova vida ao Alentejo, a criar uma esperança para este património, muito do qual está numa situação difícil”, explicou o arquitecto.

“Isto implica reencontrar algumas lições do passado, como é o caso do ecumenismo.

Na nossa região, judeus, cristãos e muçulmanos conseguiram viver em paz durante vários séculos. Essa é uma tradição que nos orgulha e que tentamos recuperar nesta iniciativa”, disse José António Falcão.

O disco, interpretado pelo Sete Lágrimas, foi composto por autores ligados a três tradições cristãs: Ivan Moody (ortodoxo), Andrew Smith (protestante) e João Madureira (católico).

Preservar e transmitir

José António Falcão recordou o espírito que esteve presente no início do Departamento do Património Histórico e Artístico, há 25 anos: “A nossa luta começou por ser contra o preconceito, procurando mostrar um Alentejo que tem um profundo interesse do ponto de vista patrimonial e que é orgulhoso das suas raízes”.

Diante desta realidade, a Igreja manteve-se fiel ao seu legado, mas quis “inovar e encontrar soluções para os problemas concretos que iam surgindo”, referiu o responsável diocesano.

A preservação de um património que se afirma não apenas pela beleza, mas também pelo que é invisível aos olhos - a fé que esteve presente na sua génese - e a necessidade de transmitir o seu conteúdo religioso e artístico são duas prioridades do Departamento, que procura dar a conhecer a arte sacra no seu sentido mais profundo.

“Os problemas dos nossos dias, a nossa espiritualidade, os nossos valores devem ser reflectidos na arte e devem sobreviver no futuro. Somos herdeiros de um passado que nos enriquece e de que nos orgulhamos muito, mas temos também a obrigação de deixar o testemunho dos nossos dias”, indicou José António Falcão.

“Neste momento há um problema de fundo, que é o abandono resultante da desertificação”, afirmou. “Há que inverter esta situação. Isso passa por criar percursos e rotas de turismo cultural e religioso de qualidade, por estabelecer uma rede de museus – que já começa a estar implantada – pela realização de exposições no país e estrangeiro, bem como outras medidas de dinamização e valorização do património”, descreveu o historiador de arte.

O trabalho do Departamento é assegurado por uma equipa de voluntários, composta por 12 técnicos e mais de 200 pessoas distribuídas pelo território, que colaboram nas paróquias e monumentos relevantes da região. “Creio que o segredo do nosso trabalho – confidenciou José António Falcão – é essencialmente a paixão com que se tem vivido o Alentejo”.

Um «Silêncio» criador

O disco nasceu do desafio que o Departamento do Património Histórico e Artístico dirigiu à empresa Arte das Musas e ao «consort» Sete Lágrimas, que têm colaborado com a diocese de Beja no Festival Terras Sem Sombra.

No livrinho que acompanha o CD, José António Falcão fala em “depositar vinho velho em odres novos”. Cada autor criou três composições a partir de um livro bíblico: Ivan Moody escolheu o «Génesis», Andrew Smith optou pelas «Lamentações» e João Madureira recolheu o relato da Paixão de Cristo a partir do Evangelho segundo São Lucas.

Além das nove obras inspiradas na Sagrada Escritura, o disco apresenta uma reinterpretação de cânticos originários das tradições populares religiosas dos compositores: um hino russo, um cântico inglês de Santa Maria e uma canção, igualmente mariana, procedente de Odemira.

O projecto prevê a publicação das partituras, juntamente com ensaios sobre arte contemporânea e património, bem como a continuação do ciclo de concertos.

E porquê «Silêncio»? Os co-directores artísticos do Sete Lágrimas, Filipe Faria e Sérgio Peixoto, assinalam que o CD implica uma meditação pessoal. José António Falcão lembra que a palavra reflecte uma “vivência alentejana” de criar pausas, “de que tanto precisamos no nosso quotidiano”.

in Agência Ecclesia

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Alma de Bento XVI em CD inédito

As palavras recitadas e cantadas por Bento XVI estão na base do CD “Alma Mater”, apresentado na noite desta Terça-feira em Roma à imprensa internacional. Uma obra que, como a Agência ECCLESIA pôde testemunhar, mistura a tradição gregoriana com a música clássica contemporâneo, com apontamentos do mundo árabe e hindu.

Oito peças inéditas de três compositores (um católico, um ateu e um muçulmano) combinam-se com as orações e reflexões sobre a Virgem Maria que o Papa apresentou no Vaticano e nas suas peregrinações por todo o mundo, em particular pelos diversos santuários marianos. Não falta, por isso, a língua portuguesa, retomando uma reflexão apresentada em Aparecida, Brasil, no ano de 2007, lembrando o “clamor de Fátima pela conversão dos pecadores”.

Na conferência de imprensa de apresentação da obra, com lançamento mundial marcado para 30 de Novembro, foi sublinhado que se trata da primeira vez que se realizou uma produção deste tipo com a colaboração da Rádio e do Centro Televisivo do Vaticano (CTV).

O Pe. Federico Lombardi, director de ambos e porta-voz do Vaticano, destacou que não se trata de um “disco do Papa”, mas de um álbum que foi inspirado nele e que Bento XVI está “muito disponível para as propostas dos seus colaboradores” no que diz respeito a formas inovadoras de evangelização, com novas linguagens, utilizando as novas tecnologias e promovendo novas relações.

“O Papa está consciente da necessidade de busca positiva de novas linguagens” artísticas e musicais, assinalou.

A Rádio Vaticano (RV) e o CTV, dada a “experimentalidade deste produto”, usaram de “grande prudência” quanto ao uso da voz e da imagem do Papa, evitando fazer “business” (sic) com as mesmas. Receberam apenas 25 mil Euros, no caso da RV, e menos de 7 mil, quanto ao CTV.

“Desejamos grande sucesso a este disco”, disse o Pe. Lombardi, sublinhando que o serviço do Vaticano é “de carácter apostólico e não de carácter comercial”.

Sem revelar se Bento XVI já teria ouvido o álbum, este responsável limitou-se a assegurar que a sua secretaria pessoal já recebeu um dos primeiros discos.

50 palavras

Na génese da obra está o Regina Caeli, a oração mariana dominical do tempo de Páscoa, que Bento XVI cantou pela primeira vez, enquanto Papa, no dia 1 de Maio de 2005. O Pe. Giulio Neroni, Paulista, viu surgir, ao ouvi-lo, a ideia deste CD.

A Secretaria do Estado aprovou o projecto e endereçou-o para a RV, que tem o direito do uso comercial da voz do Papa. Foi concedida à San Paolo Multimédia, dos Paulistas, o uso da voz, mas a responsabilidade do CD é da sua produção, não do Vaticano.

Na obra encontramos 8 breves passagens com a voz do Papa,

com orações e reflexões, geralmente de carácter mariano. Sete são em tom recitativo, misturando-se com a música e uma passagem de canto, o referido Regina Caeli, num total de nove minutos e 47 segundos de intervenções papais.

As palavras cantadas por Bento XVI que podemos ouvir neste álbum são exactamente 50, misturadas com as vozes do coro da Academia Filarmónica de Roma, gravadas na Basílica de São Pedro, e a Royal Philarmonic Orchestra, de Londres, que gravou nos famosos estúdios de Abbey Road.

No livro que acompanha o disco há ainda reflexões marianas escritas pelo Cardeal Angelo Comastri, vigário geral do Papa para o Estado do Vaticano.

O CTV disponibilizou imagens para o documentário vídeo que se associa ao álbum e eventual uso em concertos, o primeiro dos quais está já previsto para o dia 2 de Dezembro, na Catedral de Westminster (Inglaterra).

Para o Pe. Lombardi, a intenção fundamental do envolvimento do Vaticano num projecto deste género é “procurar experimentar linguagens e modos novos para transmitir uma mensagem religiosa e espiritual”, para “aproximar a voz e a pessoa do Papa a um público mais vasto”.

A música, disse, é “uma linguagem eficaz” para comunicar a um grande público, juvenil, mas não só, reforçando que este “Alma Mater” é um “esforço digno de respeito e encorajamento”.

Lembrando que no próximo dia 21 de Novembro terá lugar o encontro do Papa com os artistas, o porta-voz do Vaticano afirmou que “a arte é uma aliada natural do espírito”, para lá das pertenças religiosas, procurando “relançar esta aliança entre a música e o espírito, para alimentar as dimensões religiosas da pessoa”.

Na conferência de imprensa foi confirmado que uma parte das receitas será destinada a instituições que oferecem ensino musical a crianças desfavorecidas.

Sonoridade cinematográfica

A inspiração das oito músicas que compõem este CD brota de passagens do Gregoriano e litanias dedicadas a Maria.

Os compositores chegam da Itália, da Inglaterra e de Marrocos, com experiências muito distantes do Canto Gregoriano e da música religiosa: Stefano Mainetti (católica), Simon Boswell (ateu) e Nour Eddine (muçulmano).

O resultado final é uma fusão surpreendente, em que até a voz do Papa surge com uma doçura a que mesmo os seus ouvintes mais fiéis não estão habituados. Somos quase sempre remetidos para um mundo cinematográfico, mais do que estritamente religioso, procurando provocar emoções e surpreender.

Neste sentido, destacam-se as notáveis combinações entre a tradição musical católica e a música tradicional árabe, feita por Nour Eddine, e a mistura entre antiquíssimos motivos gregorianos e outro hindu, feita por Stefano Mainetti.

O Pe. Vito Fracchiola, da San Paolo Multimédia, assegurou que quem escutar este CD notará que “o autor e actor principal deste álbum é o Papa”

Já Colin Barlow, presidente da Geffen/Reino Unido, falou numa “história extraordinária” e num álbum de “absoluta beleza”.

“Temos um álbum muito especial, no qual estamos todos orgulhosos por ter participado”, assegurou.

Sobre o número de álbuns que espera vender, Barlow admitiu que este deve ser um “álbum muito popular”. “Podemos vender muitas cópias”, disse, destacando que o “Alma Mater” chegará a todo o mundo e a todos os mercados.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Esperança na Semana dos Seminários

Uma mensagem de esperança lança a celebração da Semana dos Seminários 2009, que a Igreja Católica em Portugal promove entre 8 e 15 de Novembro próximos.

“Seminário, palavra que chama e envia” é o mote da iniciativa, que lembra as instituições nas quais são formados os novos sacerdotes no nosso país.

O presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios (CEVM), D. António Francisco dos Santos, assinala na sua mensagem para esta semana que “todos somos chamados a assumir os seminários e a formação dos novos sacerdotes como uma missão essencial da vida dos cristãos e das comunidades”.

“Os seminários são os alunos, os formadores e quantos ali trabalham, rezam e colaboram tantas vezes como beneméritos anónimos, discretos e activos. Os seminários são escolas ao modo da escola do Mestre onde se aprende a ser discípulo de Jesus e onde se preparam os apóstolos de hoje”, escreve.

Para este responsável, estamos na presença de “instituições necessárias” que, no contexto presente da formação, “são mesmo insubstituíveis”, deixando votos de que que as comunidades se apercebam “do valor do seminário como presença e esperança no coração da Igreja”.

“Os seminários são instituições que inscrevem no chão sagrado dos seus edifícios as marcas do tempo e da história e elevam nos traços que exteriormente os identificam os sinais da presença da Igreja”, aponta.

Em pleno Ano Sacerdotal, que a Igreja celebra por decisão de Bento XVI, o presidente da CEVM diz que “o amor pelos seminários, expresso em gestos de oração, de afecto e de generosidade, afirma um belo testemunho de vida eclesial, constitui um sinal de gratidão pelo bem ali realizado”.

“O Ano Sacerdotal deve levar cada vez mais os sacerdotes aos seminários e deve aproximar os seminários das comunidades cristãs”, acrescenta.

A Equipa Formadora do Seminário Diocesano de Santa Joana Princesa, em Aveiro, preparou alguns textos de oração e de reflexão para servirem os grupos de crianças e de jovens ou a comunidade cristã, que são disponibilizados no Guião da Semana.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Quem diria!!!

No dia em que se comemoram os 20 anos sobre a queda do Muro de Berlim, uma sondagem conclui que os alemães de Leste consideram que a reunificação não foi consumada e que a esmagadora maioria sentia-se bem na antiga Alemanha Democrática.

O estudo indica que 50 por cento dos cidadãos da antiga Alemanha Democrática lamentam diferenças reais do nível de vida, lembrando que no Leste o desemprego é maior, os salários são mais baixos e o PIB é de apenas de um terço do registado no lado ocidental do país.

Doze por cento dos inquiridos recordam com saudade os tempos da RDA e outros tantos defendem mesmo que o muro devia ser reconstruído.

Somente um quinto dos alemães de Leste considera que a reunificação vai no bom sentido e muitos outros dizem que os irmãos do ocidente os tratam com arrogância.


Muro de Berlim: História


Um olhar pela história

O Muro de Berlim caíu há 20 anos



O Mundo celebra hoje o 20.º aniversário do fim da Europa dividida. O Muro da Vergonha ou da Protecção contra o fascismo, como era visto de cada um dos lados do mesmo, já não existe em Berlim, mas continua a ser um dos marcos do século XX. Leia aqui uma (muito) rápida visita à história.

Dos 155 quilómetros iniciais, restam 1300 metros. Foram mantidos como memorial da divisão. Com o nome de Galeria do lado leste, o que resta do Muro foi pintado com grafitti por artistas de todo o planeta e é hoje um dos pontos turísticos mais visitados da cidade.

O Muro começou por dividir a Alemanha em duas. A Federal e a Democrática. Uma a ocidente, outra a leste. Era assim o Mundo em 1961, quando na noite de 12 para 13 de Agosto, Berlim foi dividida em duas. De início nem um muro era, apenas uma cerca com arames que dividia em duas partes a cidade de Berlim. De um lado estava o Ocidente, do outro o Bloco de Leste. Um lado mais próximo dos EUA, o outro da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, dirigida a partir de Moscovo, na Rússia. A divisão física feita na Alemanha simbolizava a divisão do Mundo na perfeição. De um lado, a Nato, do outro o Pacto de Varsóvia.

Cerca de 40 mil soldados da RDA trabalharam na construção da obra, que foi decidida em Moscovo, em Junho de 1961, numa reunião do pacto de Varsóvia. A separação durou 28 anos, dois meses e 27 dias e tinha uma extensão de 155 quilómetros.

Expoente máximo vísivel da Guerra Fria, o Muro fez 276 mortes e 3000 detenções: todas elas pessoas que tentaram escapar ao regime comunista vigente na RDA para viver em democracia na RFA. A história recordará sempre o nome de Chris Guefrroy, morto a 5 de Fevereiro de 1989, tinha então 20 anos. Foi este jovem a última vítima da separação. Abatido a tiro, ficou a escassos meses de poder atravessar livremente aquele espaço, numa Alemanha de novo unificada, graças à abertura de Egon Krenz, presidente da RDA a partir de 18 de Outubro do mesmo ano.

Demorou menos de um ano a reunificação da Alemanha. O processo teve início em Julho de 1990 e ficou concluído a 3 de Outurbo, com a entrada em vigor do Tratado de Unificação, que viria a fazer de novo de Berlim a capital do país.

Hoje, a Alemanha é liderada por Ângela Merkel, uma mulher que cresceu na RDA e Berlim acabou por tornar-se o motor da união da Europa, com a inclusão de vários países que antes pertenceram ao pacto de Varsóvia na União Europeia.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

À GRANDE!

Hoje, poderá o leitor pensar, mas apetece-me escrever sobre uma situação actual! Não é o livro de maus costumes (ou sobre um Nobel "de más opiniões")! Não é de temas actuais da Igreja... É simplesmente da actualidade da "redondinha" vermelha... Sim! É sobre o clube que, graças a Jesus, anda a espetar uns tantos tentos em tudo o lhe aparece à frente!
O SLB de Jesus parece o SLB dos anos 80! É um grande... Joga como um grande... Dá esperanças de um grande! Ontem até meteu dó. Sim... Meteu-me dó ver aqueles simples jogadores do Everton a correr atrás da bola, controlada por um grande colectivo e com um jogo muito acutilante, quando o jogo já estava garantido para o SLB. Até mete nervos o JJ puxar pelos jogadores quando a equipa está a ganhar por muitos. Parece que nunca está contente com resultado da vitória! Mas isso é que é futebol; isso é que é profissionalismo; isso é que é dar valor aos adeptos (para além da vitória queremos é golos não é?).
É certo que podem os nossos irmãos rivais dizer que o SLB (versão JJ) nunca encontrou um adversário à altura ou que, até agora, jogou contra equipas de segundo plano. Também é verdade... Mas isso sempre aconteceu independentemente do treinador, e nunca se jogou assim para os lados da Luz nos últimos 10 anos. Até já inventaram novos termos para classificar as exibições benfiquistas. Contra o AEK não disseram que foi uma exibição à Quique?!
A jogar assim, quer na Europa quer no Campeonato, não será legítimo aspirar a novas conquistas?!

Espero bem que sim... Até agora ainda não falhamos... O SLB é grande e está a jogar "à Grande"! :-)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A música como forma de oração

A música é uma linguagem espiritual e universal que pode se converter em oração, afirmou Bento XVI neste sábado, no final do concerto da Academia de Piano Internacional de Imola, por ocasião dos seus 20 anos de fundação. O concerto foi oferecido em homenagem ao Papa e contou com a presença dos padres sinodais.

A pianista chinesa Jin Ju, de 33 anos, nascida em Xangai, no seio de uma família de músicos, é o talento da academia, pois toca com 7 dos 120 instrumentos da Coleção do Palácio Monsignani de Imola; ela percorreu, de forma sintética, a história e a evolução do piano.

"Este concerto - disse o Papa no final do evento - nos permitiu, mais uma vez, desfrutar da beleza da música, linguagem espiritual e, portanto, universal, veículo muito apropriado para a compreensão e a união entre as pessoas e os povos."

"A música faz parte de todas as culturas e, poderíamos dizer, acompanha toda experiência humana, da dor ao prazer, do ódio ao amor, da tristeza à glória, da morte à vida", acrescentou.

O Papa também destacou que, no transcurso dos séculos e dos milênios, "a música foi sempre utilizada para dar forma ao que não se pode expressar com palavras, porque suscita emoções de outra maneira dificilmente comunicáveis".

"A grande música - prosseguiu - se estende ao espírito, suscita sentimentos profundos e convida quase naturalmente a elevar a mente e o coração a Deus em todas as situações, sejam alegres ou tristes, da existência humana."

Por isso, concluiu, "a música pode converter-se em oração".

Ao finalizar o concerto, um jovem talento da academia, Andrè Gallo, de 20 anos, prestou uma homenagem ao Papa com um recopilatório das 32 sonatas de Beethoven, gravadas por 32 alunos procedentes de diferentes lugares do mundo, como síntese da confrontação saudável entre nações e pensamentos diversos, intercâmbio de identidades musicais.

A Academia Internacional de Piano "Encontros com o Mestre", de Imola, fundada e dirigida por Franco Scala, é uma escola de alto aperfeiçoamento musical, nascida em 1989, com sede no esplêndido marco de Rocca Sforzasca, da cidade italiana de Imola.

in Zenit.org

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Obama é Nobel da Paz



Barack Obama, hoje distinguido com o prémio Nobel da Paz, tornou-se a 04 de Novembro de 2008 o primeiro Presidente negro dos Estados Unidos da América, concretizando em parte a mensagem de mudança que defendeu perante o país.

Considerado um conciliador carismático, Obama, de 47 anos, anunciou oficialmente a 10 de Fevereiro de 2007 a sua candidatura à nomeação democrata para as eleições presidenciais norte-americanas e conseguiu ultrapassar uma concorrente como Hillary Clinton, algo difícil de imaginar antes do início da campanha.

Tendo sido eleito como senador pelo Estado de Illinois em Novembro de 2004, Obama reconheceu na apresentação da candidatura não ter passado "muito tempo a conhecer os meandros políticos de Washington".

"Mas passei o tempo suficiente para saber que a forma de fazer política em Washington deve mudar", declarou na altura.

Os seus adversários pensam de forma diferente e a inexperiência governativa aparece com destaque na lista de críticas que lhe são feitas.

Devido à sua história pessoal, Obama é visto por muitos como unificador.

Nasceu em Honolulu (Havai) a 04 de Agosto de 1961, quando o seu pai, um economista queniano, e a mãe, antropóloga norte-americana do Kansas, estudavam na universidade do Havai.

Os pais separaram-se quando Obama tinha dois anos e, com o casamento seguinte da mãe, foi viver para Jacarta (Indonésia) durante quatro anos, voltando ao Havai aos 10.

Formou-se em Relações Internacionais na Universidade de Columbia em 1983 e em Direito em 1991 em Harvard, onde foi o primeiro afro-americano presidente da prestigiada Harvard Law Review.

Antes de chegar ao Senado dos Estados Unidos, Obama esteve sete anos no Senado do Illinois, depois de ter trabalhado como organizador da comunidade e advogado de direitos civis.

É num escritório de advogados que encontra a sua futura mulher, Michelle, mãe das duas filhas, Malia e Sasha.

Em 1992, organizou uma das maiores inscrições de votantes na história de Chicago para ajudar Bill Clinton nas eleições desse ano, mas foi na convenção do partido democrata no Verão de 2004 que roubou o protagonismo ao candidato à presidência, John Kerry, com um discurso simples.

"Não há uma América negra, uma América branca e uma América hispânica: há os Estados Unidos da América", disse Obama.

Além de inexperiente e ingénuo, já foi acusado de elitista, de esquerdismo por estar desde o início contra a guerra no Iraque, defender o direito ao aborto ou opor-se à nomeação de conservadores para o Supremo Tribunal.

Mais recentemente foi acusado pelos rivais republicanos de ser amigo de terroristas por conhecer Bill Ayers, militante de esquerda e fundador de um movimento violento nos anos 1960.

Obama conheceu Ayers em 1995 e cruzaram-se até 2002 em reuniões de duas fundações a que ambos estiveram ligados. O agora professor universitário, de 63 anos, vive no mesmo bairro do candidato presidencial em Chicago.

A 29 de Agosto, na convenção onde foi nomeado candidato democrata por aclamação, Obama prometeu acabar em 10 anos com a dependência dos Estados Unidos face ao petróleo do Médio Oriente e baixar impostos a 95 por cento das "famílias trabalhadoras".

"É esta a mudança de que precisamos", declarou no encerramento da convenção em Denver.

Muitos norte-americanos, segundo as sondagens, parecem acreditar em Obama ou precisam de acreditar, sobretudo depois dos efeitos violentos da crise financeira, cuja responsabilidade é atribuída em parte à administração republicana.

Naquele mesmo discurso, o candidato democrata prometeu também acabar com a "guerra irresponsável no Iraque (...) terminar a luta contra a Al-Qaida (...) apostar numa diplomacia directa capaz de impedir que o Irão tenha poder nuclear".

Terça-feira poder-se-á confirmar se os elementos essenciais da mensagem de Barack Obama "esperança, mudança e futuro" encontraram eco no eleitorado dos Estados Unidos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Deus, quando pede algo de nobre e grande, orçamenta bem o empreendimento, financia e acompanha a obra e inaugura-a discretamente, por fases.


O sacerdote (e o diácono) distingue-se mais pelo apego do que pelo desprendimento; prima mais pelo anúncio do que pela denúncia; aposta mais na exigência do que na intransigência pastoral. Daí que se tenha de aprender a utilizar o melhor herbicida de Deus, que é a paciência e a longanimidade.
Convence-te, pois, de que Ele estará sempre a teu lado, nunca desistirá do projecto que planeou a teu respeito e que vai ter sempre a última palavra no processo do teu crescimento interior e da tua realização pessoal.

Aproveita, ao longo da vida, a promoção das "três em uma" e mantém-te devoto fiel das simpáticas: Santa Generosa (ou seja,
disponível para o serviço do Reino de Deus), Santa Letícia (alegre e feliz por teres sido chamado e gratificado por Deus) e Santa Perpétua (doando-te todo aos outros e com direito a um contrato vitalício e celeste).

O sacerdote (e o diácono) tem de estar de serviço permanente, como farmácias. Não possui horário fixo para abrir ou fechar a loja: o melhor que faz é dormir, atrás do balcão. Não pode enganar o cliente e dizer que o fármaco está a ser testado no laboratório ou já vem a caminho: tem de o ter à mão! Afinal, ele também é sócio, concessionário, fabricante e distribuidor desse produto vital, imprescindível e inesgotável, que se chama AMOR DE DEUS!

PARABÉNS, e deixa ao Senhor o encargo de te tornar cada vez mais simpático, compassivo e santo!

Um Amigo


Salvaguardando o autor do texto e o que é de foro particular, partilho esta mensagem que me foi endereçada por ocasião da minha ordenação diaconal.

Por tudo, agradeço a Deus. Sem Ele este dia nunca seria possível! Obrigado por me teres dado forças e coragem para te dar o meu "sim", a minha vida!
Agradeço a todos os meus colegas: aos que me acompanharam e foram ordenados um grande obrigado; aos que "ficaram a meio do caminho" um grande abraço para eles. Estiveram todos prostrados connosco!
Agradeço a toda a minha família, de modo particular aos meus pais e irmãos. Sem o vosso apoio desde o primeiro segundo sentiria-me demasiado sozinho e, provavelmente, a minha alegria nunca seria completa. Aos meus tios, primos, avós um grande obrigado!
Aos meus padrinhos (ela presente; ele ausente) obrigado pelo vosso acompanhamento permanente e alegre.
A todos os presente (sacerdotes, diáconos, amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos) um obrigado profundo.
Aos ausentes (de modo especial a minho prima Anabela, o meu avô Justino, o meu avô João, o meu tio José Luís) sinto que me acompanharam na eternidade junto de Deus, cantando o Hino de Alegria, anunciando no Céu a Festa vivida na Terra.

Foi um dia muito importante para Deus, para a Igreja de Lamego, para todos nós!

OBRIGADO!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

ORDENAÇÃO DIACONAL

No próximo dia 4 de Outubro, domingo, pelas 16h, o Sr. D. Jacinto Botelho, Bispo de Lamego, ordenará 5 novos diáconos para a Igreja Diocesana, que serão o André Filipe Mendes Pereira, o António Jorge Gomes Giroto, o Bernardo Maria Furtado Mendonça Gago de Magalhães, o José Filipe Mendes Pereira e o Tiago André Bernardino Cardoso.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Em Resende

Já algum tempo que ando a pensar em escrever estas palavras, contudo a falta de tempo e de vontade têm impedido que isso acontecesse.

Estou a realizar o Estágio Pastoral no Seminário Menor de Resende, melhor, no Seminário de Nossa Senhora de Lourdes, integrando a equipa formadora, que tem "à cabeça" o senhor padre António José Ferreira. Os meus colegas de "estatuto" são os senhores padres José Manuel Rebelo e Miguel Peixoto.
Quando me comunicaram que eu iria realizar o Estágio Pastoral (como diácono) no Seminário Menor, a minha primeira reacção foi pensar realmente desde sempre andava alguém a pedir para fazer a minha caminhada vocacional integrando o seminário menor. Não o fiz como seminarista; foi realizá-la como Diácono. Deus parece que brinca com as pessoas... E nós também brincamos com Ele... Este sim foi o meu primeiro pensamento. Depois fui-me habituando à ideia de viver novamente em seminário, se bem que é numa realidade completamente diferente e com outro papel, isto é, com mais responsabilidade.
Cheguei no dia 13 de Setembro. Comecei por conhecer os cantos da casa, por ambientar-me ao espaço. Começou uma nova etapa da minha vida...
Os miúdos (jovens, rapazes...) começaram a chegar por volta das 15h. Vi nos seus rostos alguma surpresa por encontrarem novos "padres", que irão fazer o papel de "pai e de mãe", mas também com muita força e confiança para enfrentarem o novo ano, para enfrentarem todos os desafios que aparecerão no caminho de discernimento vocacional. Estava um ambiente de festa, de reboliço, de alegria contagiante, quer para os pais, quer para nós, equipa formadora.
Começou o tempo... Um tempo novo, para nós e para os jovens que quiseram realizar um discernimento vocacional, que quiseram percorrer um caminho, em seminário, de forma a tornarem-se sacerdotes (alguns deles), homens e cristãos para este tempo.
Estes primeiros dias têm-se revelado uma pequeno surpresa. Nunca pensei no que viria encontrar e encontrei. Nunca me via em papeis que tenho que fazer neste momento. Quer na capela, quer no salão, quer no desporto, quer nos intervalos e nas brincadeiras com a comunidade no seu todo, vou descobrindo todos os dias coisas novas, coisas que nunca pensei encontrar. É claro que nem tudo é fácil; mas também não parece muito difícil!
Estar na pele de formando e formador também não é nada fácil... São duas realidades distintas mas complementares pois, durante toda a nossa vida, nunca deixamos de ser formandos mesmo sendo, obrigatoriamente, formadores.
Ser testemunho de que vale apena ser padre é a missão principal que tenho para com os jovens seminaristas. Eu e todos os outros três elementos que compõem a equipa formadora... Com esse testemunho esperamos que eles cresçam humanamente, espiritualmente e academicamente.
Com a ajuda de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira do Seminário Menor, iremos conseguir dar esse testemunho tão necessário.
Com Maria caminhamos para Cristo, verdadeiro Sacerdote. É este o lema que irá guiar-nos neste ano. Que através de Nossa Senhora, encontremos a figura de Cristo, Sacerdote eterno e Salvador do Mundo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ennio Morricone: “a fé está sempre presente em minha música”

Pode ser que você não reconheça o nome, mas seguramente já escutou sua música. O maestro Ennio Morricone é considerado um dos melhores compositores de partituras de filmes de Hollywood.

Para muitos católicos, talvez seja apreciado pela música do filme “A Missão”, de 1986, sobre os jesuítas missionários na América do Sul do século XVIII. Mas sua contribuição à indústria do cinema estende-se a mais de 450 filmes, tendo ele trabalhado com os principais diretores de Hollywood, desde Sergio Leone a Bernardo Bertolucci, Brian De Palma ou Roman Polanski.

E com 80 anos segue em plena ebulição. O compositor acaba de terminar o arranjo musical de “Baaria”, de Giuseppe Tornatore, um filme italiano que abriu o Festival de Veneza deste ano. Quentin Tarantino o havia convidado para compor a música de seu mais recente filme, “Bastardos sem glória”, mas dificuldades de calendário impediram Morricone de realizar este trabalho. No entanto, ele permitiu que Tarantino usasse passagens de sua obra no filme.

O renomado compositor italiano também continua colecionando prêmios: no início do ano, Nicolas Sarkory, presidente da França, o nomeou Cavaleiro da Ordem da Legião de Honra, o mais alto reconhecimento do país. Isso se soma a uma longa lista de outros reconhecimentos, incluindo o Prêmio de Honra da Academia, cinco nomeações ao Oscar, cinco Baftas e um Grammy.

Apesar disso, o maestro Morricone, que nasceu em Roma, prefere manter-se longe das câmeras e raramente concede entrevistas. Por isso, foi uma surpresa quando ele amavelmente aceitou abrir uma exceção para ZENIT, tendo nos recebido em seu apartamento no centro da Cidade Eterna, para falar principalmente sobre sua fé e sua música.

Em seu apartamento se destaca um impecável piano preto ao lado da janela de uma grande sala decorada com muito bom gosto, artisticamente revestida de murais e quadros clássicos. Mas Morricone, casado, com quatro filhos já adultos, é um homem simples, e responde as perguntas do modo típico romano: diretamente.

Inspiração

Começo perguntando se sua música, que muitos consideram muito especial, está inspirada por sua fé. Ainda que se descreva como um “homem de fé”, adota um ponto de vista muito profissional em seu trabalho.

“Penso na música que tenho de escrever, a música é uma arte abstrata –explica. Mas, no entanto, quando tenho de escrever uma peça religiosa, certamente minha fé contribui”.

Ele acrescenta que tem interiormente uma “espiritualidade que sempre permanece em minha composição”, mas não é algo que deseja fazer presente, simplesmente o sente.

“Como crente, esta fé provavelmente está sempre ali, mas corresponde aos outros se darem conta dela, os musicólogos e os que analisam não só as peças de música mas que também têm uma compreensão de minha natureza, e do sagrado e do místico”, explica.

Ele reconhece que crê que Deus o ajuda a “escrever uma boa composição, mas essa é outra história”.

Morricone dá uma similar resposta profissional e honesta quando questionado se tem algum remordimento ao escrever música para filmes gratuitamente violentos.

“É-me pedido que me coloque a serviço do filme –diz. Se o filme é violento, então componho música para um filme violento. Se é um filme sobre o amor, trabalho para um filme de amor. Talvez possam existir filmes violentos em que há sacralidade ou elementos místicos, mas não busco voluntariamente estes filmes. Tento conseguir um equilíbrio com a espiritualidade do filme, mas o diretor nem sempre pensa da mesma maneira”.

Ennio Morricone iniciou sua carreira musical em 1946 após receber um diploma de trompetista. No ano seguinte, já era compositor de música de teatro, assim como músico em uma banda de jazz, para manter sua família. Mas sua carreira na música cinematográfica começou em 1961, quando começou a trabalhar com seu velho amigo de escola, Sergio Leone, e sua série de bang bang italiano, os "western spaghetti" ("Por um punhado de dólares", "O dólar furado"...).

Talvez seja mais famoso por este gênero, apesar de lembrar que estes filmes representam apenas 8% de seu repertório, e que rejeitou uma centena de outros filmes similares. “Todos me pediam para fazer western, mas tentei não fazê-los porque prefiro a variedade”.

Milagre técnico

Falando de “A Missão”, diz que o grandioso da partitura deste filme era seu “efeito técnico e espiritual”. Com isso, refere-se ao modo como se conseguiu combinar os três temas musicais do filme. A presença de violinos e o oboé de padre Gabriel representam “a experiência do Renascimento do progresso da música instrumental”. O filme logo move-se para outras formas de música que surgiram da reforma da Igreja do Concílio de Trento, e acaba na música dos nativos indígenas.

O resultado foi um tema “contemporâneo” em que os três elementos combinaram-se harmoniosamente ao final do filme. “O primeiro e o segundo tema vão juntos, o primeiro e o terceiro podem ir juntos, e o segundo e o terceiro vão juntos –explica. Isso era um milagre técnico e creio que foi uma grande bênção”.

O compositor italiano assegura que não tem a fórmula para uma partitura cinematográfica de sucesso. “Se o soubesse, teria escrito mais música como essa”, disse, acrescentando que a qualidade da música depende de estar feliz ou triste.

“Quando era menos feliz, sempre me salvei com profissionalismo e técnica”, reconhece. Não menciona nenhuma peça ou filme favorito. “Gosto de todos porque me deram algum tipo de tormento e sofrimento quando trabalhava neles, mas não devo e não quero fazer distinções”, diz.

Passamos ao tema de outro sutil músico: o Papa Bento XVI. Morricone diz que tem “muito boa opinião” do Santo Padre. “Parece-me que é um Papa de mente sábia, um homem de grande cultura e também de grande força”, afirma.

É especialmente elogioso com os esforços de Bento XVI de reformar a liturgia, um assunto que Morricone sente com grande força.

“Hoje a Igreja cometeu um grande erro, atrasando o relógio 500 anos com as guitarras e as canções populares –argumenta. Nada disso me agrada. O canto gregoriano é uma tradição vital e importante da Igreja e desperdiçá-lo por misturas juvenis de palavras religiosas e profanas, canções ocidentais, é extremamente grave, extremamente grave”, enfatiza.

Afirma que é voltar atrás os ponteiros do relógio porque o mesmo sucedeu antes do Concílio de Trento, quando os cantores mesclavam o profano com a música sagrada. “O Papa faz bem em corrigir isso –observa. Deveria corrigi-lo com muito mais firmeza. Algumas igrejas têm levado em conta suas correções, mas outras não”.

O maestro Morricone parece em forma e consideravelmente mais jovem que sua idade, o que lhe permite seguir dando concertos ao redor do mundo. De fato, está mais solicitado que nunca: no próximo mês interpretará suas composições no Anfiteatro de Hollywood, em Los Angeles.

Apesar de toda essa fama e distinções, este grande compositor não perdeu nada de sua humildade e realismo romano. É talvez isso, mais que suas comoventes e únicas composições, que faz dele um dos grandes nomes de Hollywood.

in Zenit

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Simpósio do Clero - Alguns apontamentos

Na sexta-feira, dia 4 de Setembro, acabou o VI Simpósio do Clero de Portugal. Foi o primeiro em que participei, por iniciativa própria e também incentivado pelo bispo da minha diocese, e que se revelou uma autêntica surpresa.
Fiquei admirado com a quantidade de sacerdotes presentes, quer mais velhos quer mais novos. Fez-me reparar que realmente nós até somos bastantes e que, apesar de estarmos a servir em territórios diferentes, nunca estamos sós. Há sempre alguém do nosso lado! Foi um grande incentivo de confiança para avançar na minha caminha, cada vez mais próxima da meta.
Também pude ver que a comunhão presbiteral que tanto se fala pode ser uma realidade concretizável. A começar pelo exemplo de "unidade episcopal" ali presente. Vi que a maior parte dos nossos bispos portugueses acompanhou os trabalhos do Simpósio. Isso também deveria ser um incentivo para todos os sacerdotes.
As conferências foram muito bem orientadas. Porventura poder-se-ia pensar que os temas eram muito relacionados com a Psicologia (Grun e Cencini são dois psico-terapeutas). Contudo eles não falaram só de Psicologia. Eles iluminaram a Psicologia com a Teologia. Ou não terá sido o contrário?!... É certo que o padre é, de igual maneira ao homem "comum", um ser psicológico. Mas o facto de ser padre não quer dizer que se anule esta dimensão. Logo, é bom que estejamos preparados para os pequenos confrontos psicológicos durante a nossa vida de sacerdotes. Temos que nos preocupar com todas as nossas dimensões (humana, espiritual, académica, psicológica, ...).
Um alerta que se fez, e que eu queria destacar, é que realmente o sacerdote tem que saber aceitar as suas fraquezas e viver com alegria. As pessoas querem padres alegres, mas também padres que sejam homens e não padres que estejam "alienados" do mundo. Deus quis que os padres fossem homens que caminham para uma conversão de vida que dura a vida inteira(formação permanente). Daí que o encontro, a partilha, o conviver uns-com-os-outros seja extremamente necessário. Uns-com-os-outros aprendemos a reconhecer as nossas fraquezas, a ultrapassá-las e a crescermos como padres e como homens. Que nunca acabem os espaços de partilha (não físicos nem impostos formalmente) entre todos os sacerdotes, seminaristas e leigos. Com eles e neles aprendemos a crescer em Igreja, para a Igreja e com a Igreja.
Um apontamento que menos gostei foi o número elevado de conferências diárias e o papel passivo do ouvinte. Talvez por ainda não saber "estar para ouvir" ou porque ainda não estou no terreno e não sentir na pele o que estava a ser dito, senti que as conferências eram em demasia e cansavam um bocado. Contudo penso que será positivo (re)lê-las, se a Conferência Episcopal Portuguesa decidir publicá-las.
Por último queria realçar a vivência profunda das celebrações do dia na Igreja da Santíssima Trindade. Apesar de haver algum exagero nas "liturgices" das celebrações, as celebrações foram espaços de profunda oração e encontro com e em Deus. O espaço enorme tornou-se íntimo e pequeno nas Laudes, Eucaristia, Adoração do Santíssimo e Vésperas.
Em suma, penso que Simpósio realmente procurou centrar a pessoa do Sacerdote naquilo que é essencial: o Partir do Pão, o anúncio da Palavra, o servir o Próximo, o viver para Deus e para os Irmãos.
Reavivar o Dom que há em ti! Não só se fez isso durante aqueles dias em que estivemos reunidos em Fátima mas é necessário reavivar este Dom todos os dias, durante toda a nossa vida, até ao dia em que seremos transportados para a eternidade, para o tempo novo, porque ser Padre é tudo! Tudo...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Simpósio do Clero

No texto que assinala a celebração de abertura do Ano Sacerdotal, marcada para 19 de Junho, D. António Santos, presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, anuncia a realização de um simpósio para os padres de Portugal. O encontro ocorrerá em Fátima, entre os dias 1 e 4 de Setembro de 2009.

A mensagem lembra que ao propor este período de reflexão, no ano em que se assinalam os 150 anos da morte do Cura d'Ars, S. João Maria Vianney, o Papa pretende sensibilizar as comunidades cristãs para os "grandes ideais" da vida sacerdotal, "nestes tempos que são os nossos".

O tema deste Ano - "Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote" - sublinha que o chamamento de Deus para uma missão específica de serviço à Igreja e ao mundo e a doação da própria vida são elementos constitutivos da identidade dos padres, que se consolida a partir do exemplo de fidelidade de Cristo a Deus Pai.

A mensagem destaca a importância dos Seminários no discernimento que cada aluno faz sobre a vontade de Deus e da Igreja a seu respeito, bem como na formação espiritual, teológica e pastoral. Por isso eles "são chamados a viver, mais do que qualquer outra instituição, o Ano Sacerdotal com criativo acolhimento e com renovado sentido de missão".

As ordenações de padres que irão ocorrer proximamente serão momentos muito oportunos para constatar a acção de Deus, que revela a sua vontade em cada seminarista, sem todavia deixar de respeitar a sua liberdade.

Os votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência orientam-se para facilitar e concretizar o amor inteiramente dedicado a Deus e à comunidade que caracteriza os padres. Mas aqueles meios precisam de ser permanentemente reavivados, dado que os sacerdotes, como todos os seres humanos, são frágeis e vulneráveis; por isso é indispensável que coloquem a vida espiritual no centro da sua existência

A missa diária é o momento em que se renova o amor que o sacerdote recebe de Deus e que entrega aos que o rodeiam. Estas características tornam-se visíveis na união com o bispo, na relação fraterna com os padres e no "serviço generoso" aos membros da comunidade, que são a razão de ser da sua existência. No entanto, mais do que aquilo que ele faz, "a beleza da vida e da missão do sacerdote consiste essencialmente naquilo que ele é".

A fidelidade e o agradecimento a Deus pela oferta de sacerdotes à Igreja serão intensificados através de uma vida conforme à vontade divina e que, por outro lado, manifeste aos membros das comunidades palavras de esperança e "sentimentos de perdão e de misericórdia e gestos de dor compassiva (...) nos momentos de fragilidade ou de desânimo."

D. António Santos lembra que apesar deste período se dirigir a toda a Igreja, "é no coração, na vida e no ministério de cada um dos sacerdotes" que ele encontra "o mais indicado e necessário ambiente de acolhimento e a mais densa e sentida forma de celebração".

Uma das prioridades deste Ano consiste na oração e no estabelecimento de condições para que mais pessoas escutem o apelo de Jesus Cristo e decidam ser sacerdotes. As comunidades são também convidadas a relembrar os exemplos, discretos e heróicos, de padres que seguiram a vontade de Deus, recolhendo motivos de esperança da sua memória.

Para D. António Santos, os sacerdotes doentes, idosos e os que "vivem momentos dolorosos de provação" são olhados com "atenta solicitude" por parte da Igreja, que vê revelados nos seminaristas e nos jovens padres "caminhos de generosidade e de fidelidade".

in Agência Ecclesia

terça-feira, 25 de agosto de 2009

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Frases desportivas

Houve algumas frases relacionadas com o Futebol que ficaram sempre na minha memória:
  1. Para o ano seremos campeões! (José Mourinho)
  2. Estes rapazes serão campeões! (Camacho)
  3. Deixem jogar o Mantorras! (Malheiro)
  4. Eu só defendi o "menino"! (Scolari)
Ligadas a situações caricatas, os seus protagonistas realizaram profecias, justificaram os seus actos e fizeram pedidos. Contudo caracterizaram e marcaram uma época de futebol.
A última (profecia) o protagonista é o prof. Jesualdo e alguém com um nome bastante esquisito saído de um quase-Herói da Marvel que quando se enerva fica verde. "Em Portugal é fácil expulsar o Hulk!" - Nobre profecia ou constantação; só não sei se chegou a haver "tradução" em Japonês porque, pelos vistos, no Japão também é fácil expulsar o Hulk!

Independentemente de quem ganhar o Campeonato desta época já sabemos a frase que vai marcar 2009/2010: Em Portugal é fácil expulsar o Hulk! (Jesualdo)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Detida 37 vezes a guiar sem carta :-)

Já cumpriu pena de prisão por guiar automóvel sem estar habilitada para o fazer. Chegou ir a tribunal ao sábado e à segunda pela mesma infracção. Segunda-feira passada, foi detida pela 37.ª vez...

Cristina Araújo tem 48 anos e anda ao volante, há mais de 20, sem carta de condução. A antiga vendedora ambulante, residente no Bairro da Rosa, em Coimbra, bem tenta tirá-la, mas já reprovou nove vezes no exame de código e o dinheiro escasseia. Na última segunda-feira, foi detida, pela GNR de Cantanhede, por conduzir sem habilitação legal para o efeito... pela 37ª vez. "Sabia que estava errado, mas roubar eu não ia!", conta, ao JN, Cristina Araújo, que esteve presa, entre 2005 e 2008, pela insistência em fazer-se à estrada. Mesmo assim, não perde o sentido de humor: "Cheguei a ser julgada duas vezes por semana: ao sábado e à segunda-feira. Os juízes já estavam fartos de ver a minha cara! O advogado dizia que eu nem ao sábado o deixava dormir". Até 2005, Cristina, divorciada e mãe de três filhos, não desistiu de tirar a carta de condução e canalizou todas as economias para esse fim. Mas, um dia antes de ir novamente a exame - logo quando ela "tinha a certeza" de que ia passar -, voltou a ser detida e o juiz não perdoou. Ordenou pena de prisão.

As abordagens das autoridades deram-se, quase sempre, em trabalho. Inicialmente, Cristina vendia fruta de terra em terra. Depois, improvisou um café numa caravana, que estacionou em frente ao prédio onde mora, para evitar a estrada. Mas até quando ia abastecer-se era apanhada. Se pegava no carro "era pelos filhos". "Não tinha ninguém que me levasse", justifica.

Este ano, a Câmara Municipal pôs fim ao negócio. Segundo o vereador da Habitação, Gouveia Monteiro, a caravana estava estacionada num sítio onde tal não é permitido. "[Cristina Araújo] pode praticar a venda ambulante, mas tem de cumprir regras: não pode vender em qualquer sítio da cidade, nem conduzir sem ter carta", observa.

Cristina conduz desde os 25 anos. Aprendeu, sozinha, "no mato", e gaba-se de nunca ter tido um acidente de viação. "Conduzo melhor do que muita gente que anda para aí!", diz, sorridente. Não que esteja numa fase boa da vida. Sem sustento e a aguardar o desenrolar de mais dois processos por condução ilegal, lamenta que as aparições na comunicação social ainda não lhe tenham rendido ajudas concretas.

Ironicamente, nesta segunda-feira, quando foi apanhada outra vez ao volante, "ia para a escola de condução pedir novo exame de código".


in JN