sexta-feira, 23 de outubro de 2009

À GRANDE!

Hoje, poderá o leitor pensar, mas apetece-me escrever sobre uma situação actual! Não é o livro de maus costumes (ou sobre um Nobel "de más opiniões")! Não é de temas actuais da Igreja... É simplesmente da actualidade da "redondinha" vermelha... Sim! É sobre o clube que, graças a Jesus, anda a espetar uns tantos tentos em tudo o lhe aparece à frente!
O SLB de Jesus parece o SLB dos anos 80! É um grande... Joga como um grande... Dá esperanças de um grande! Ontem até meteu dó. Sim... Meteu-me dó ver aqueles simples jogadores do Everton a correr atrás da bola, controlada por um grande colectivo e com um jogo muito acutilante, quando o jogo já estava garantido para o SLB. Até mete nervos o JJ puxar pelos jogadores quando a equipa está a ganhar por muitos. Parece que nunca está contente com resultado da vitória! Mas isso é que é futebol; isso é que é profissionalismo; isso é que é dar valor aos adeptos (para além da vitória queremos é golos não é?).
É certo que podem os nossos irmãos rivais dizer que o SLB (versão JJ) nunca encontrou um adversário à altura ou que, até agora, jogou contra equipas de segundo plano. Também é verdade... Mas isso sempre aconteceu independentemente do treinador, e nunca se jogou assim para os lados da Luz nos últimos 10 anos. Até já inventaram novos termos para classificar as exibições benfiquistas. Contra o AEK não disseram que foi uma exibição à Quique?!
A jogar assim, quer na Europa quer no Campeonato, não será legítimo aspirar a novas conquistas?!

Espero bem que sim... Até agora ainda não falhamos... O SLB é grande e está a jogar "à Grande"! :-)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A música como forma de oração

A música é uma linguagem espiritual e universal que pode se converter em oração, afirmou Bento XVI neste sábado, no final do concerto da Academia de Piano Internacional de Imola, por ocasião dos seus 20 anos de fundação. O concerto foi oferecido em homenagem ao Papa e contou com a presença dos padres sinodais.

A pianista chinesa Jin Ju, de 33 anos, nascida em Xangai, no seio de uma família de músicos, é o talento da academia, pois toca com 7 dos 120 instrumentos da Coleção do Palácio Monsignani de Imola; ela percorreu, de forma sintética, a história e a evolução do piano.

"Este concerto - disse o Papa no final do evento - nos permitiu, mais uma vez, desfrutar da beleza da música, linguagem espiritual e, portanto, universal, veículo muito apropriado para a compreensão e a união entre as pessoas e os povos."

"A música faz parte de todas as culturas e, poderíamos dizer, acompanha toda experiência humana, da dor ao prazer, do ódio ao amor, da tristeza à glória, da morte à vida", acrescentou.

O Papa também destacou que, no transcurso dos séculos e dos milênios, "a música foi sempre utilizada para dar forma ao que não se pode expressar com palavras, porque suscita emoções de outra maneira dificilmente comunicáveis".

"A grande música - prosseguiu - se estende ao espírito, suscita sentimentos profundos e convida quase naturalmente a elevar a mente e o coração a Deus em todas as situações, sejam alegres ou tristes, da existência humana."

Por isso, concluiu, "a música pode converter-se em oração".

Ao finalizar o concerto, um jovem talento da academia, Andrè Gallo, de 20 anos, prestou uma homenagem ao Papa com um recopilatório das 32 sonatas de Beethoven, gravadas por 32 alunos procedentes de diferentes lugares do mundo, como síntese da confrontação saudável entre nações e pensamentos diversos, intercâmbio de identidades musicais.

A Academia Internacional de Piano "Encontros com o Mestre", de Imola, fundada e dirigida por Franco Scala, é uma escola de alto aperfeiçoamento musical, nascida em 1989, com sede no esplêndido marco de Rocca Sforzasca, da cidade italiana de Imola.

in Zenit.org

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Obama é Nobel da Paz



Barack Obama, hoje distinguido com o prémio Nobel da Paz, tornou-se a 04 de Novembro de 2008 o primeiro Presidente negro dos Estados Unidos da América, concretizando em parte a mensagem de mudança que defendeu perante o país.

Considerado um conciliador carismático, Obama, de 47 anos, anunciou oficialmente a 10 de Fevereiro de 2007 a sua candidatura à nomeação democrata para as eleições presidenciais norte-americanas e conseguiu ultrapassar uma concorrente como Hillary Clinton, algo difícil de imaginar antes do início da campanha.

Tendo sido eleito como senador pelo Estado de Illinois em Novembro de 2004, Obama reconheceu na apresentação da candidatura não ter passado "muito tempo a conhecer os meandros políticos de Washington".

"Mas passei o tempo suficiente para saber que a forma de fazer política em Washington deve mudar", declarou na altura.

Os seus adversários pensam de forma diferente e a inexperiência governativa aparece com destaque na lista de críticas que lhe são feitas.

Devido à sua história pessoal, Obama é visto por muitos como unificador.

Nasceu em Honolulu (Havai) a 04 de Agosto de 1961, quando o seu pai, um economista queniano, e a mãe, antropóloga norte-americana do Kansas, estudavam na universidade do Havai.

Os pais separaram-se quando Obama tinha dois anos e, com o casamento seguinte da mãe, foi viver para Jacarta (Indonésia) durante quatro anos, voltando ao Havai aos 10.

Formou-se em Relações Internacionais na Universidade de Columbia em 1983 e em Direito em 1991 em Harvard, onde foi o primeiro afro-americano presidente da prestigiada Harvard Law Review.

Antes de chegar ao Senado dos Estados Unidos, Obama esteve sete anos no Senado do Illinois, depois de ter trabalhado como organizador da comunidade e advogado de direitos civis.

É num escritório de advogados que encontra a sua futura mulher, Michelle, mãe das duas filhas, Malia e Sasha.

Em 1992, organizou uma das maiores inscrições de votantes na história de Chicago para ajudar Bill Clinton nas eleições desse ano, mas foi na convenção do partido democrata no Verão de 2004 que roubou o protagonismo ao candidato à presidência, John Kerry, com um discurso simples.

"Não há uma América negra, uma América branca e uma América hispânica: há os Estados Unidos da América", disse Obama.

Além de inexperiente e ingénuo, já foi acusado de elitista, de esquerdismo por estar desde o início contra a guerra no Iraque, defender o direito ao aborto ou opor-se à nomeação de conservadores para o Supremo Tribunal.

Mais recentemente foi acusado pelos rivais republicanos de ser amigo de terroristas por conhecer Bill Ayers, militante de esquerda e fundador de um movimento violento nos anos 1960.

Obama conheceu Ayers em 1995 e cruzaram-se até 2002 em reuniões de duas fundações a que ambos estiveram ligados. O agora professor universitário, de 63 anos, vive no mesmo bairro do candidato presidencial em Chicago.

A 29 de Agosto, na convenção onde foi nomeado candidato democrata por aclamação, Obama prometeu acabar em 10 anos com a dependência dos Estados Unidos face ao petróleo do Médio Oriente e baixar impostos a 95 por cento das "famílias trabalhadoras".

"É esta a mudança de que precisamos", declarou no encerramento da convenção em Denver.

Muitos norte-americanos, segundo as sondagens, parecem acreditar em Obama ou precisam de acreditar, sobretudo depois dos efeitos violentos da crise financeira, cuja responsabilidade é atribuída em parte à administração republicana.

Naquele mesmo discurso, o candidato democrata prometeu também acabar com a "guerra irresponsável no Iraque (...) terminar a luta contra a Al-Qaida (...) apostar numa diplomacia directa capaz de impedir que o Irão tenha poder nuclear".

Terça-feira poder-se-á confirmar se os elementos essenciais da mensagem de Barack Obama "esperança, mudança e futuro" encontraram eco no eleitorado dos Estados Unidos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Deus, quando pede algo de nobre e grande, orçamenta bem o empreendimento, financia e acompanha a obra e inaugura-a discretamente, por fases.


O sacerdote (e o diácono) distingue-se mais pelo apego do que pelo desprendimento; prima mais pelo anúncio do que pela denúncia; aposta mais na exigência do que na intransigência pastoral. Daí que se tenha de aprender a utilizar o melhor herbicida de Deus, que é a paciência e a longanimidade.
Convence-te, pois, de que Ele estará sempre a teu lado, nunca desistirá do projecto que planeou a teu respeito e que vai ter sempre a última palavra no processo do teu crescimento interior e da tua realização pessoal.

Aproveita, ao longo da vida, a promoção das "três em uma" e mantém-te devoto fiel das simpáticas: Santa Generosa (ou seja,
disponível para o serviço do Reino de Deus), Santa Letícia (alegre e feliz por teres sido chamado e gratificado por Deus) e Santa Perpétua (doando-te todo aos outros e com direito a um contrato vitalício e celeste).

O sacerdote (e o diácono) tem de estar de serviço permanente, como farmácias. Não possui horário fixo para abrir ou fechar a loja: o melhor que faz é dormir, atrás do balcão. Não pode enganar o cliente e dizer que o fármaco está a ser testado no laboratório ou já vem a caminho: tem de o ter à mão! Afinal, ele também é sócio, concessionário, fabricante e distribuidor desse produto vital, imprescindível e inesgotável, que se chama AMOR DE DEUS!

PARABÉNS, e deixa ao Senhor o encargo de te tornar cada vez mais simpático, compassivo e santo!

Um Amigo


Salvaguardando o autor do texto e o que é de foro particular, partilho esta mensagem que me foi endereçada por ocasião da minha ordenação diaconal.

Por tudo, agradeço a Deus. Sem Ele este dia nunca seria possível! Obrigado por me teres dado forças e coragem para te dar o meu "sim", a minha vida!
Agradeço a todos os meus colegas: aos que me acompanharam e foram ordenados um grande obrigado; aos que "ficaram a meio do caminho" um grande abraço para eles. Estiveram todos prostrados connosco!
Agradeço a toda a minha família, de modo particular aos meus pais e irmãos. Sem o vosso apoio desde o primeiro segundo sentiria-me demasiado sozinho e, provavelmente, a minha alegria nunca seria completa. Aos meus tios, primos, avós um grande obrigado!
Aos meus padrinhos (ela presente; ele ausente) obrigado pelo vosso acompanhamento permanente e alegre.
A todos os presente (sacerdotes, diáconos, amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos) um obrigado profundo.
Aos ausentes (de modo especial a minho prima Anabela, o meu avô Justino, o meu avô João, o meu tio José Luís) sinto que me acompanharam na eternidade junto de Deus, cantando o Hino de Alegria, anunciando no Céu a Festa vivida na Terra.

Foi um dia muito importante para Deus, para a Igreja de Lamego, para todos nós!

OBRIGADO!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

ORDENAÇÃO DIACONAL

No próximo dia 4 de Outubro, domingo, pelas 16h, o Sr. D. Jacinto Botelho, Bispo de Lamego, ordenará 5 novos diáconos para a Igreja Diocesana, que serão o André Filipe Mendes Pereira, o António Jorge Gomes Giroto, o Bernardo Maria Furtado Mendonça Gago de Magalhães, o José Filipe Mendes Pereira e o Tiago André Bernardino Cardoso.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Em Resende

Já algum tempo que ando a pensar em escrever estas palavras, contudo a falta de tempo e de vontade têm impedido que isso acontecesse.

Estou a realizar o Estágio Pastoral no Seminário Menor de Resende, melhor, no Seminário de Nossa Senhora de Lourdes, integrando a equipa formadora, que tem "à cabeça" o senhor padre António José Ferreira. Os meus colegas de "estatuto" são os senhores padres José Manuel Rebelo e Miguel Peixoto.
Quando me comunicaram que eu iria realizar o Estágio Pastoral (como diácono) no Seminário Menor, a minha primeira reacção foi pensar realmente desde sempre andava alguém a pedir para fazer a minha caminhada vocacional integrando o seminário menor. Não o fiz como seminarista; foi realizá-la como Diácono. Deus parece que brinca com as pessoas... E nós também brincamos com Ele... Este sim foi o meu primeiro pensamento. Depois fui-me habituando à ideia de viver novamente em seminário, se bem que é numa realidade completamente diferente e com outro papel, isto é, com mais responsabilidade.
Cheguei no dia 13 de Setembro. Comecei por conhecer os cantos da casa, por ambientar-me ao espaço. Começou uma nova etapa da minha vida...
Os miúdos (jovens, rapazes...) começaram a chegar por volta das 15h. Vi nos seus rostos alguma surpresa por encontrarem novos "padres", que irão fazer o papel de "pai e de mãe", mas também com muita força e confiança para enfrentarem o novo ano, para enfrentarem todos os desafios que aparecerão no caminho de discernimento vocacional. Estava um ambiente de festa, de reboliço, de alegria contagiante, quer para os pais, quer para nós, equipa formadora.
Começou o tempo... Um tempo novo, para nós e para os jovens que quiseram realizar um discernimento vocacional, que quiseram percorrer um caminho, em seminário, de forma a tornarem-se sacerdotes (alguns deles), homens e cristãos para este tempo.
Estes primeiros dias têm-se revelado uma pequeno surpresa. Nunca pensei no que viria encontrar e encontrei. Nunca me via em papeis que tenho que fazer neste momento. Quer na capela, quer no salão, quer no desporto, quer nos intervalos e nas brincadeiras com a comunidade no seu todo, vou descobrindo todos os dias coisas novas, coisas que nunca pensei encontrar. É claro que nem tudo é fácil; mas também não parece muito difícil!
Estar na pele de formando e formador também não é nada fácil... São duas realidades distintas mas complementares pois, durante toda a nossa vida, nunca deixamos de ser formandos mesmo sendo, obrigatoriamente, formadores.
Ser testemunho de que vale apena ser padre é a missão principal que tenho para com os jovens seminaristas. Eu e todos os outros três elementos que compõem a equipa formadora... Com esse testemunho esperamos que eles cresçam humanamente, espiritualmente e academicamente.
Com a ajuda de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira do Seminário Menor, iremos conseguir dar esse testemunho tão necessário.
Com Maria caminhamos para Cristo, verdadeiro Sacerdote. É este o lema que irá guiar-nos neste ano. Que através de Nossa Senhora, encontremos a figura de Cristo, Sacerdote eterno e Salvador do Mundo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ennio Morricone: “a fé está sempre presente em minha música”

Pode ser que você não reconheça o nome, mas seguramente já escutou sua música. O maestro Ennio Morricone é considerado um dos melhores compositores de partituras de filmes de Hollywood.

Para muitos católicos, talvez seja apreciado pela música do filme “A Missão”, de 1986, sobre os jesuítas missionários na América do Sul do século XVIII. Mas sua contribuição à indústria do cinema estende-se a mais de 450 filmes, tendo ele trabalhado com os principais diretores de Hollywood, desde Sergio Leone a Bernardo Bertolucci, Brian De Palma ou Roman Polanski.

E com 80 anos segue em plena ebulição. O compositor acaba de terminar o arranjo musical de “Baaria”, de Giuseppe Tornatore, um filme italiano que abriu o Festival de Veneza deste ano. Quentin Tarantino o havia convidado para compor a música de seu mais recente filme, “Bastardos sem glória”, mas dificuldades de calendário impediram Morricone de realizar este trabalho. No entanto, ele permitiu que Tarantino usasse passagens de sua obra no filme.

O renomado compositor italiano também continua colecionando prêmios: no início do ano, Nicolas Sarkory, presidente da França, o nomeou Cavaleiro da Ordem da Legião de Honra, o mais alto reconhecimento do país. Isso se soma a uma longa lista de outros reconhecimentos, incluindo o Prêmio de Honra da Academia, cinco nomeações ao Oscar, cinco Baftas e um Grammy.

Apesar disso, o maestro Morricone, que nasceu em Roma, prefere manter-se longe das câmeras e raramente concede entrevistas. Por isso, foi uma surpresa quando ele amavelmente aceitou abrir uma exceção para ZENIT, tendo nos recebido em seu apartamento no centro da Cidade Eterna, para falar principalmente sobre sua fé e sua música.

Em seu apartamento se destaca um impecável piano preto ao lado da janela de uma grande sala decorada com muito bom gosto, artisticamente revestida de murais e quadros clássicos. Mas Morricone, casado, com quatro filhos já adultos, é um homem simples, e responde as perguntas do modo típico romano: diretamente.

Inspiração

Começo perguntando se sua música, que muitos consideram muito especial, está inspirada por sua fé. Ainda que se descreva como um “homem de fé”, adota um ponto de vista muito profissional em seu trabalho.

“Penso na música que tenho de escrever, a música é uma arte abstrata –explica. Mas, no entanto, quando tenho de escrever uma peça religiosa, certamente minha fé contribui”.

Ele acrescenta que tem interiormente uma “espiritualidade que sempre permanece em minha composição”, mas não é algo que deseja fazer presente, simplesmente o sente.

“Como crente, esta fé provavelmente está sempre ali, mas corresponde aos outros se darem conta dela, os musicólogos e os que analisam não só as peças de música mas que também têm uma compreensão de minha natureza, e do sagrado e do místico”, explica.

Ele reconhece que crê que Deus o ajuda a “escrever uma boa composição, mas essa é outra história”.

Morricone dá uma similar resposta profissional e honesta quando questionado se tem algum remordimento ao escrever música para filmes gratuitamente violentos.

“É-me pedido que me coloque a serviço do filme –diz. Se o filme é violento, então componho música para um filme violento. Se é um filme sobre o amor, trabalho para um filme de amor. Talvez possam existir filmes violentos em que há sacralidade ou elementos místicos, mas não busco voluntariamente estes filmes. Tento conseguir um equilíbrio com a espiritualidade do filme, mas o diretor nem sempre pensa da mesma maneira”.

Ennio Morricone iniciou sua carreira musical em 1946 após receber um diploma de trompetista. No ano seguinte, já era compositor de música de teatro, assim como músico em uma banda de jazz, para manter sua família. Mas sua carreira na música cinematográfica começou em 1961, quando começou a trabalhar com seu velho amigo de escola, Sergio Leone, e sua série de bang bang italiano, os "western spaghetti" ("Por um punhado de dólares", "O dólar furado"...).

Talvez seja mais famoso por este gênero, apesar de lembrar que estes filmes representam apenas 8% de seu repertório, e que rejeitou uma centena de outros filmes similares. “Todos me pediam para fazer western, mas tentei não fazê-los porque prefiro a variedade”.

Milagre técnico

Falando de “A Missão”, diz que o grandioso da partitura deste filme era seu “efeito técnico e espiritual”. Com isso, refere-se ao modo como se conseguiu combinar os três temas musicais do filme. A presença de violinos e o oboé de padre Gabriel representam “a experiência do Renascimento do progresso da música instrumental”. O filme logo move-se para outras formas de música que surgiram da reforma da Igreja do Concílio de Trento, e acaba na música dos nativos indígenas.

O resultado foi um tema “contemporâneo” em que os três elementos combinaram-se harmoniosamente ao final do filme. “O primeiro e o segundo tema vão juntos, o primeiro e o terceiro podem ir juntos, e o segundo e o terceiro vão juntos –explica. Isso era um milagre técnico e creio que foi uma grande bênção”.

O compositor italiano assegura que não tem a fórmula para uma partitura cinematográfica de sucesso. “Se o soubesse, teria escrito mais música como essa”, disse, acrescentando que a qualidade da música depende de estar feliz ou triste.

“Quando era menos feliz, sempre me salvei com profissionalismo e técnica”, reconhece. Não menciona nenhuma peça ou filme favorito. “Gosto de todos porque me deram algum tipo de tormento e sofrimento quando trabalhava neles, mas não devo e não quero fazer distinções”, diz.

Passamos ao tema de outro sutil músico: o Papa Bento XVI. Morricone diz que tem “muito boa opinião” do Santo Padre. “Parece-me que é um Papa de mente sábia, um homem de grande cultura e também de grande força”, afirma.

É especialmente elogioso com os esforços de Bento XVI de reformar a liturgia, um assunto que Morricone sente com grande força.

“Hoje a Igreja cometeu um grande erro, atrasando o relógio 500 anos com as guitarras e as canções populares –argumenta. Nada disso me agrada. O canto gregoriano é uma tradição vital e importante da Igreja e desperdiçá-lo por misturas juvenis de palavras religiosas e profanas, canções ocidentais, é extremamente grave, extremamente grave”, enfatiza.

Afirma que é voltar atrás os ponteiros do relógio porque o mesmo sucedeu antes do Concílio de Trento, quando os cantores mesclavam o profano com a música sagrada. “O Papa faz bem em corrigir isso –observa. Deveria corrigi-lo com muito mais firmeza. Algumas igrejas têm levado em conta suas correções, mas outras não”.

O maestro Morricone parece em forma e consideravelmente mais jovem que sua idade, o que lhe permite seguir dando concertos ao redor do mundo. De fato, está mais solicitado que nunca: no próximo mês interpretará suas composições no Anfiteatro de Hollywood, em Los Angeles.

Apesar de toda essa fama e distinções, este grande compositor não perdeu nada de sua humildade e realismo romano. É talvez isso, mais que suas comoventes e únicas composições, que faz dele um dos grandes nomes de Hollywood.

in Zenit

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Simpósio do Clero - Alguns apontamentos

Na sexta-feira, dia 4 de Setembro, acabou o VI Simpósio do Clero de Portugal. Foi o primeiro em que participei, por iniciativa própria e também incentivado pelo bispo da minha diocese, e que se revelou uma autêntica surpresa.
Fiquei admirado com a quantidade de sacerdotes presentes, quer mais velhos quer mais novos. Fez-me reparar que realmente nós até somos bastantes e que, apesar de estarmos a servir em territórios diferentes, nunca estamos sós. Há sempre alguém do nosso lado! Foi um grande incentivo de confiança para avançar na minha caminha, cada vez mais próxima da meta.
Também pude ver que a comunhão presbiteral que tanto se fala pode ser uma realidade concretizável. A começar pelo exemplo de "unidade episcopal" ali presente. Vi que a maior parte dos nossos bispos portugueses acompanhou os trabalhos do Simpósio. Isso também deveria ser um incentivo para todos os sacerdotes.
As conferências foram muito bem orientadas. Porventura poder-se-ia pensar que os temas eram muito relacionados com a Psicologia (Grun e Cencini são dois psico-terapeutas). Contudo eles não falaram só de Psicologia. Eles iluminaram a Psicologia com a Teologia. Ou não terá sido o contrário?!... É certo que o padre é, de igual maneira ao homem "comum", um ser psicológico. Mas o facto de ser padre não quer dizer que se anule esta dimensão. Logo, é bom que estejamos preparados para os pequenos confrontos psicológicos durante a nossa vida de sacerdotes. Temos que nos preocupar com todas as nossas dimensões (humana, espiritual, académica, psicológica, ...).
Um alerta que se fez, e que eu queria destacar, é que realmente o sacerdote tem que saber aceitar as suas fraquezas e viver com alegria. As pessoas querem padres alegres, mas também padres que sejam homens e não padres que estejam "alienados" do mundo. Deus quis que os padres fossem homens que caminham para uma conversão de vida que dura a vida inteira(formação permanente). Daí que o encontro, a partilha, o conviver uns-com-os-outros seja extremamente necessário. Uns-com-os-outros aprendemos a reconhecer as nossas fraquezas, a ultrapassá-las e a crescermos como padres e como homens. Que nunca acabem os espaços de partilha (não físicos nem impostos formalmente) entre todos os sacerdotes, seminaristas e leigos. Com eles e neles aprendemos a crescer em Igreja, para a Igreja e com a Igreja.
Um apontamento que menos gostei foi o número elevado de conferências diárias e o papel passivo do ouvinte. Talvez por ainda não saber "estar para ouvir" ou porque ainda não estou no terreno e não sentir na pele o que estava a ser dito, senti que as conferências eram em demasia e cansavam um bocado. Contudo penso que será positivo (re)lê-las, se a Conferência Episcopal Portuguesa decidir publicá-las.
Por último queria realçar a vivência profunda das celebrações do dia na Igreja da Santíssima Trindade. Apesar de haver algum exagero nas "liturgices" das celebrações, as celebrações foram espaços de profunda oração e encontro com e em Deus. O espaço enorme tornou-se íntimo e pequeno nas Laudes, Eucaristia, Adoração do Santíssimo e Vésperas.
Em suma, penso que Simpósio realmente procurou centrar a pessoa do Sacerdote naquilo que é essencial: o Partir do Pão, o anúncio da Palavra, o servir o Próximo, o viver para Deus e para os Irmãos.
Reavivar o Dom que há em ti! Não só se fez isso durante aqueles dias em que estivemos reunidos em Fátima mas é necessário reavivar este Dom todos os dias, durante toda a nossa vida, até ao dia em que seremos transportados para a eternidade, para o tempo novo, porque ser Padre é tudo! Tudo...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Simpósio do Clero

No texto que assinala a celebração de abertura do Ano Sacerdotal, marcada para 19 de Junho, D. António Santos, presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, anuncia a realização de um simpósio para os padres de Portugal. O encontro ocorrerá em Fátima, entre os dias 1 e 4 de Setembro de 2009.

A mensagem lembra que ao propor este período de reflexão, no ano em que se assinalam os 150 anos da morte do Cura d'Ars, S. João Maria Vianney, o Papa pretende sensibilizar as comunidades cristãs para os "grandes ideais" da vida sacerdotal, "nestes tempos que são os nossos".

O tema deste Ano - "Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote" - sublinha que o chamamento de Deus para uma missão específica de serviço à Igreja e ao mundo e a doação da própria vida são elementos constitutivos da identidade dos padres, que se consolida a partir do exemplo de fidelidade de Cristo a Deus Pai.

A mensagem destaca a importância dos Seminários no discernimento que cada aluno faz sobre a vontade de Deus e da Igreja a seu respeito, bem como na formação espiritual, teológica e pastoral. Por isso eles "são chamados a viver, mais do que qualquer outra instituição, o Ano Sacerdotal com criativo acolhimento e com renovado sentido de missão".

As ordenações de padres que irão ocorrer proximamente serão momentos muito oportunos para constatar a acção de Deus, que revela a sua vontade em cada seminarista, sem todavia deixar de respeitar a sua liberdade.

Os votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência orientam-se para facilitar e concretizar o amor inteiramente dedicado a Deus e à comunidade que caracteriza os padres. Mas aqueles meios precisam de ser permanentemente reavivados, dado que os sacerdotes, como todos os seres humanos, são frágeis e vulneráveis; por isso é indispensável que coloquem a vida espiritual no centro da sua existência

A missa diária é o momento em que se renova o amor que o sacerdote recebe de Deus e que entrega aos que o rodeiam. Estas características tornam-se visíveis na união com o bispo, na relação fraterna com os padres e no "serviço generoso" aos membros da comunidade, que são a razão de ser da sua existência. No entanto, mais do que aquilo que ele faz, "a beleza da vida e da missão do sacerdote consiste essencialmente naquilo que ele é".

A fidelidade e o agradecimento a Deus pela oferta de sacerdotes à Igreja serão intensificados através de uma vida conforme à vontade divina e que, por outro lado, manifeste aos membros das comunidades palavras de esperança e "sentimentos de perdão e de misericórdia e gestos de dor compassiva (...) nos momentos de fragilidade ou de desânimo."

D. António Santos lembra que apesar deste período se dirigir a toda a Igreja, "é no coração, na vida e no ministério de cada um dos sacerdotes" que ele encontra "o mais indicado e necessário ambiente de acolhimento e a mais densa e sentida forma de celebração".

Uma das prioridades deste Ano consiste na oração e no estabelecimento de condições para que mais pessoas escutem o apelo de Jesus Cristo e decidam ser sacerdotes. As comunidades são também convidadas a relembrar os exemplos, discretos e heróicos, de padres que seguiram a vontade de Deus, recolhendo motivos de esperança da sua memória.

Para D. António Santos, os sacerdotes doentes, idosos e os que "vivem momentos dolorosos de provação" são olhados com "atenta solicitude" por parte da Igreja, que vê revelados nos seminaristas e nos jovens padres "caminhos de generosidade e de fidelidade".

in Agência Ecclesia

terça-feira, 25 de agosto de 2009