quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Frequências...

Pronto! Vou fazer a minha última frequência do Semestre...
Pois... Era bom que fosse do ano, e (talvez) da vida!
Mas não... Ainda falta um semestre... E outras tantas para fazer!...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

50 Anos da convocação do II Concílio do Vaticano



João XXIII surpreendia a Igreja Católica, interna e externamente, convocando um Concílio. Foi o início de uma renovação, ainda em curso.

No próximo dia 25 de Janeiro, festa da conversão de São Paulo, completam-se 50 anos sobre o anúncio que na Basílica de S. Paulo Extramuros, o Beato João XXIII fez aos Cardeais, que era seu propósito convocar um concílio ecuménico. De facto, durante o Pontificado de Pio XII (1939-1958), chegavam de muitos sectores da Igreja fortes apelos de mudanças profundas na vida da própria Igreja; uma inversão no caminho da centralização romana, muito acentuada após o Concílio Ecuménico Vaticano I. Entretanto, e porque as teses conciliaristas estavam definitivamente superadas pela proclamação da infalibilidade pontifícia, propunha-se, sem receios, maior autonomia dos bispos, mais pluralismo no interior da Igreja, maior responsabilidade laical, uma teologia e uma liturgia mais participada e mais em contacto com as fontes litúrgicas e patrísticas. Em relação à sociedade, pedia-se o reconhecimento da autonomia das actividades humanas e a legítima liberdade de consciência, de culto e de propaganda para todas as confissões. Devia em suma, ultrapassar-se de vez as dificuldades de relação Igreja-Mundo que o Sillabus deixou manifestar.

O ambiente vivido pela II Guerra Mundial, as fortes transformações da sociedade, a grande transformação económica, pela passagem de uma economia predominantemente agrícola para uma economia fortemente industrializada, fizeram com que o Pontificado de Pio XII preferisse deixar amadurecer mais estes movimentos de renovação. Pio XII manteve-se fiel ao princípio de que na Igreja todas as decisões devem partir do vértice e não das bases. A eclesiologia de Pio XII via a Igreja como o Corpo Místico de Cristo, apesar de acentuar a dimensão vertical do seu ministério e isolar o Papa do resto da Igreja, o pastor do rebanho. Ao ser autor de muitas reformas, Pio XII nunca descentralizou o seu ministério.

João XXIII (1958-1963) emerge imprevisivelmente neste contexto. A sua decisão de convocar o Concílio Ecuménico Vaticano II fez dele uma personalidade profética. No seu conceito, a assembleia conciliar deveria desenvolver-se durante alguns meses. Jamais pensou que a assembleia conciliar faria a enorme obra renovadora que conhecemos. Podemos concluir que os tempos estavam maduros. As bases do Povo Cristão e os teólogos desde há muito desejavam a renovação da Igreja para que os católicos pudessem acompanhar, sem complexos, as grandes mutações de que o século XX foi abundante.

A 17 de Maio de 1959, João XXIII constituiu uma comissão antepreparatória do Concílio, presidida pelo Cardeal Tardini, que a 18 de Junho de 1959 escrevia uma carta a todos os Cardeais, Arcebispos, Bispos, Congregações romanas, Gerais de Ordens Religiosas, para pedir sugestões e temas para o Concílio, às quais responderam 77% dos interrogados, com 1.998 respostas, que foram catalogadas, impressas e sintetizadas em preposições formuladas em poucas palavras.

A 29 de Junho de 1959, João XXIII dá indicações sobre os fins do Concílio, através da encíclica Petri Cathedram. Ficou assim convocado o período preparatório do Concílio que decorreu de 1960 a 1962. O Concílio foi aberto solenemente a 11 de Outubro de 1962, com um discurso do papa.

A 3 de Junho de 1963 morria João XXIII, tendo-se encerrado a primeira etapa do Concilio a 8 de Dezembro de 1962, mas ainda sem a proclamação de nenhum documento.

Foi o seu sucessor, Paulo VI (1963-1978) quem concretizou e conduziu o Concílio convocado pelo corajoso Papa João XXIII. Paulo VI ficou com o enorme mérito de o ter concluído, conduzindo as grandes reformas, sobretudo a reforma litúrgica. A sua lúcida inteligência, a sua abertura e a sua moderação fizeram dele o Papa do Concílio Vaticano II. Paulo VI terminou o seu Pontificado num clima de incertezas face às aplicações do Concílio. Por um lado, as contestações do "Maio de 1968" exigiam ainda maiores aberturas por parte da Igreja, por outro lado, o movimento encabeçado pelo arcebispo Mons. Marcel Lefebvre (1905-1991) pedia que se regressasse aos moldes da Igreja anterior ao Concílio Vaticano II. O elevado número de presbíteros e até de alguns bispos que pediram dispensa dos ministérios ordenados para quase sempre contraírem Matrimónio fizeram com que a contestação ao celibato crescesse e este fosse apresentado pela opinião pública como ultrapassado, desadequado e vazio de sentido no mundo contemporâneo. No final da sua vida, Paulo VI viu a exaltação da chamada Teologia da Libertação que, sobretudo na América Latina, fazia a leitura das realidades temporais e actualizava a leitura do Evangelho, servindo-se da hermenêutica marxista, ainda fortemente acreditada como ideal de uma das potências intervenientes na então dita "Guerra Fria", disputada entre a União Soviética e os Estados Unidos da América.

Foi ainda neste contexto, que surgiu o breve Pontificado de João Paulo I, o qual deveria consumar o trabalho dos seus dois grandes antecessores, João XXIII e Paulo VI. O Pontificado de Albino Luciani (1978), para além de uma nova postura do Sumo Pontífice junto dos fiéis, marcada pela simplicidade, naturalidade e proximidade das suas catequeses, trouxe a intuição da junção dos nomes de João XXIII e de Paulo VI, no nome duplo de João Paulo, indicando a necessidade de que o novo Papa consumasse a missão dos dois Papas do Concílio Vaticano II. Esta missão coube de facto a João Paulo II, seu sucessor.

Karol Wojtyla recebeu o Concílio já quase totalmente aplicado na sua reforma litúrgica através do Missal aprovado por Paulo VI. Coube-lhe ainda aprovar o novo Código de Direito Canónico (1983), revisto segundo os critérios conciliares, conduzir a elaboração, aprovação e publicação do novo Catecismo da Igreja Católica (1992) e aprofundar, com a ajuda do seu rico magistério, várias matérias importantes da vida interna da Igreja, da sua pastoral e da sua vivência moral face aos desafios do mundo moderno e globalizado.

Concluímos, com a certeza que o Concílio Vaticano II surge como o grande Dom do Espírito Santo à Igreja do século XX e permanece como desafio para o nosso século XXI, para que as suas propostas de renovação se tornem espigas maduras na seara de Cristo, a sua Igreja que somos nós.

Pe. Senra Coelho, Professor de História da Igreja no ISTE


in Agencia Ecclesia


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

As Homenagens têm disto...

Certo Padre foi homenageado com uma pequena cerimónia pelos 25 anos de trabalho ininterrupto à frente da paróquia. O presidente da câmara foi convidado para lhe entregar um presente e proferir um pequeno discurso. Como se atrasou, o sacerdote, decidiu proferir algumas palavras:
- A primeira impressão que tive da paróquia, resultou da primeira confissão que ouvi e não podia ter sido pior... Pensei que o bispo tinha me enviado para um lugar tenebroso, pois a primeira pessoa que se me confessou disse-me que era ladrão - tinha roubado dinheiro aos seus próprios pais, a quem batia se não lhe satisfizessem as vontades, roubara nas empresas onde trabalhara, que costumava ter aventuras com as mulheres dos chefes e dos subordinados, que se dedicava ao tráfico e venda de drogas e que tinha transmitido uma doença venérea à própria irmã. Fiquei assustadíssimo... Mas com o passar do tempo, entretanto, fui conhecendo mais gente que em nada se parecia com aquele homem... Afinal viera parar a uma paróquia cheia de gente responsável, com valores, comprometida com sua fé e desta maneira tenho vivido os 25 anos mais maravilhosos do meu sacerdócio!
Nesse momento chega o autarca a quem foi dada a palavra para entregar o presente da comunidade e prestar homenagem ao padre.
Começou por pedir desculpas pelo atraso e disse:
- Nunca vou esquecer o dia em que o senhor padre chegou à nossa paróquia... Tive a honra de ser o primeiro paroquiano a me confessar com ele!

Mealheiro Português

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Tudo normal

Apesar do frio gélido que ainda me mantêm, tudo voltou à normalidade.
A neve lentamente derrete. As paisagens reaparecem com a sua naturalidade... A beleza imposta pelo manto branco desaparece lentamente.
É pena... Mas é belo, fantástico...

É a Criação de Deus!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Estímulos, "bolos" e toques...

Há actos que são do mais ridículo que existe. Dar estímulos, "bolos", toques às pessoas para andarem, por exemplo. Depois, podemos pensar que estamos a fazer bem e talvez a realidade vai dizermos que estamos a criar maus hábitos das pessoas, principalmente cortar-lhes a liberdade e a responsabilidade.

Depender uma pessoa desses estímulos, desses "bolos", desses toques para realizar uma acção pode fazer com que essa pessoa, na sua ausência não actue. Isto é muito grave! Tudo o que fazemos é fruto, não da nossa vontade, mas sim, resultante de uma resposta instintiva a uma "ordem" exterior. Depois ouve-se dizer: "É o que me vale! Se não fosse isso aqui estaria tramado! Vês o que acontece em ...?! Se lá fosse como aqui não chegaria atrasado...". Quem fala assim está muito mal habituado e não vai longe! Depois é o que se vê...

Por isso, recomendo a que tentemos não depender de estímulos, de "bolo", de toques para realizar bem a nossa missão! Só existe um "bolo", e esse bolo que nunca falta: Jesus Cristo. Esse sim, é o único estímulo que está sempre presente e com Ele caminhamos livremente e com responsabilidade.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Cantar dos Reis 2009

Discutimos entre nós... Será necessário? Não vamos ter problemas? Chegámos à conclusão que era preciso e que problemas não haveria.
Punha-se outra questão... Para que sítio ou zona? Falamos, falamos e falamos e um lugar e não havia volta a dar... Vamos (novamente) para Souselo, conselho de Cinfães.
Levamos a questão à AG e perguntamos quantos se disponibilizariam a ir "Cantar os Reis" nos dias 2, 3 e 4 de Janeiro. Somente 3! Mas, lá decidimos ir...
Mas será que vale apena? Só 3 pessoas para uma freguesia tão grande? Vai ser uma seca... - pensamos nós (erradamente).

O ponto de encontro aconteceu na sexta-feira no Seminário. Com a trouxa preparada metemo-nos a caminho... Com algumas paragens pelo meio, chegamos a Souselo à hora de jantar... E o Cantar dos Reis?! Pois... Chovia a potes... Parece que a barragem do Carrapatelo tinha rebentado... O sábado foi passado a cantar. Acabamos o dia todos cansados e fartos de "Reis". Todavia havia qualquer coisa de diferente em nós. O que pensamos que iria ser uma seca, que não iria valer apena, revelou-se uma experiência muito gratificante e enriquecedora. As pessoas gostam de nos ver, de nos ouvir, de nos ajudar, de sentir a nossa presença. Isso viu-se na forma com que nos recebiam, na forma como falavam connosco, na forma com que estiveram a ouvir-nos após a celebração da Eucaristia no adro da igreja paroquial. Enfim, gostam que o Seminário vá ao encontro delas. E, para além de um objectivo económico que realmente foi cumprido, o Cantar dos Reis teve também o objectivo de abrir o Seminário à comunidade paroquial de Souselo. Penso que, apesar do pequeno número com que nos apresentamos, conseguimos esse objectivo.
Penso que o Cantar dos Reis é uma actividade que não deve deixar de ser realizada. É uma forma de irmos ao encontro das pessoas, de sairmos. Com mais pessoas conseguiríamos chegar a mais pessoas; com disponibilidade conseguiríamos chegar a mais paróquias; com mais sacrifício mostraríamos mais Seminário.

Em nome dos que me acompanharam e em nome da AET, agradeço ao senhor padre Morgado, pároco de Souselo, que nos acolheu e "alimentou"; agradeço ao senhor padre Armindo, pároco de Tarouquela, que nos deixou "acampar" em sua casa; agradeço a todas as pessoas que nos acompanharam na cantoria; agradeço a todas as pessoas que nos receberam, ouviram e contribuíram!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

FELIZ ANO 2009

Festejemos 2008!
Acolhamos 2009!
Um tempo novo vai chegar...

domingo, 28 de dezembro de 2008

Família...

FAMÍLIA... TORNA-TE AQUILO QUE ÉS!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Um conto de Natal

Esta é uma história de Natal, diferente, mas igual a muitas outras histórias.
E, como todas elas, invariavelmente começa também com: 'era uma vez...'
Era uma vez um homem e uma mulher, ambos já de muita idade, que viviam numa pequena e modesta casinha isolada, nas terras de Trás-os-Montes e Alto Douro. Já lá viviam, desde que se tinham casado, ia para mais de cinquenta e quatro anos.
Os filhos entretanto cresceram, constituíram família e foram viver para a cidade, tendo ficado o casal a residir sozinho.
As visitas dos filhos eram escassas e este ano era o primeiro em que nenhum dos dois filhos tinha feito uma visita sequer aos “velhotes”. Embora não o declarassem, sentiam-se abandonados... mas, o Natal estava a chegar e, como era tradição, as famílias reuniam-se na casa paterna e passavam o período natalício em conjunto. Já faltava pouco para que pudessem ver e abraçar filhos e netos!
Entretanto, a velha senhora cozinhava afincadamente, dia após dia. Os seus olhos estavam mais vivos e os seus gestos mais lestos e cheios de alegria. A seu tempo, as guloseimas e doces de Natal iam ficando prontas: as filhoses, o pão-de-ló, a aletria e os doces, feitos a partir de receitas caseiras que só ela sabia fazer, mas que os netinhos adoravam. Ah... os netinhos queridos! Há tanto tempo que os não via! Nestas férias de Verão, ao contrário do que era normal, não tinham vindo passar uns dias à aldeia. Mas isso agora pouco importava, porque não faltava muito, e eles certamente viriam também: netos, filhos e o resto da família. A casa iria encher-se de novo de vida e de alegria, com os gritos das crianças a correr pelo alpendre, em gargalhadas histéricas e a lambuzar-se com os deliciosos doces feitas pela avozinha. Só se acalmavam quando iam de encontro a ela e lhe segredavam ao ouvido: -"Sabes, avó, gosto muito dos teus bolinhos... mas gosto muito mais de ti!"
A avó, de choro fácil, tentava, sem conseguir, disfarçar as lágrimas que lhe brotavam dos olhos. O marido, aparentemente abstraído de tudo, olhava ao longe. O seu ar duro suavizava--se perante aquele cenário de felicidade: a alegria das crianças, agarradas à avó. Sim, ele também era um homem feliz.
O filho mais novo vivia em Lisboa, e a filha, em Coimbra. O casal idoso não dizia nada, mas sentia a falta dos seus. Percebia, pouco a pouco, que os filhos estavam a afastar-se, mas não ousava dizer uma palavra, pois não queria perturbar a vida atarefada dos filhos.
Na azáfama dos preparativos para o Natal, a velha senhora estava a tirar uns docinhos deliciosos da fornalha caseira, que ardia incessantemente, quando o telefone tocou. O marido atendeu: devia ser os filhos a avisar quando chegariam. Viriam provavelmente, a tempo do almoço da véspera de Natal. Ele ouviu e não pronunciou uma única palavra, enquanto escutava o recado do filho... este explicava-lhe que, desta vez, não iria ser possível deslocar-se lá acima. Tinha surgido um imprevisto profissional e não seria possível passar o Natal lá em casa. Explicou também que a sua irmã, ao saber disto, decidira também não ir, dado que, estando presente, só ela, não valeria a pena a deslocação! Era sempre uma viagem cansativa e complicada para os miúdos.
Ele baixou o auscultador preto do vetusto telefone. O seu olhar triste foi pousar no da esposa. Imediatamente ela percebeu tudo. Não foi preciso trocar uma única palavra entre eles...
Sem se darem conta, os filhos tinham destroçado os velhos corações de seus pais e, desta vez, tinha sido dada a machadada final, num ano muito difícil para ambos. Esquecidos e amargurados, assim ficaram. Ele, ainda de pé, encostado à mesa, enquanto ela tinha abandonado já a azáfama dos doces e se sentara numa cadeirinha de baloiço e agasalhava com um cobertor antigo, que lhe protegia do frio as pernas cansadas, enquanto tentava esconder uma lágrima furtiva que lhe rolava pela face. E, naquela noite, adormeceram assim, agarradinhos um ao outro, sentindo o calor da salamandra e tentando aquecer, em vão, os seus tristes corações.
Lá fora, o frio assolava a pequena aldeia, estava escuro como breu e o vento soprava ferozmente... Ele levantou-se, a meio da noite, para fechar uma janela que batia com fragor. Um vento forte assobiava tenebrosamente na vasta escuridão. Voltou para a cama e observou, com olhar sério e circunspecto, a esposa, que jazia a seu lado com olhar triste e vazio de esperança. Deitou-se lentamente e apagou a luz da gambiarra. E aquela jornada findou assim...
De manhã, o dia acordou com sol radioso e, apesar do frio que se fazia sentir, ele levantou-se cedo, como era seu hábito, e foi apanhar lenha para alimentar a lareira... A esposa, pelo contrário, permaneceu no leito. Não tinha vontade nem forças para se levantar, nesse dia. Ele entrou em casa, olhou para ela, prostrada na cama, e, revoltado, pousou os cavacos apanhados no bosque e dirigiu-se resolutamente para o velho telefone.
Estava firmemente decidido a fazer o que tinha congeminado. Uma ideia amadurecera na sua cabeça, durante aquela noite, mal passada. Este tipo de vida triste tinha de acabar e ele estava resolvido a assumir uma atitude, desta vez sem contemplações...
Pegou no telefone e ligou para o filho, a viver em Lisboa:
-"Filho, desculpa: eu não queria estar a incomodar-te, mas... tenho que te dar uma notícia funesta. Tua mãe e eu... bem, nós... nós vamos separar-nos. Cinquenta e quatro anos de sofrimento e de infelicidade são para mim mais que suficientes e, francamente, já chega! Estou farto!
-"Mas, pai... O que é que estás para aí a dizer? - gritou o filho.
Ele respondeu:
-"Não conseguimos suportar-nos mais um ao outro. Estamos cansados, e saturados, até, de discutir este assunto. Por isso, telefona à tua irmã e sê tu a dar-lhe a notícia." E desligou o telefone.
Ela olhou com um ar de espanto para o marido, pensando que, desta vez, ele tinha perdido completamente o juízo, enquanto este olhava para cima e esboçava um sorriso de satisfação. Uma doce confiança e uma alegria enorme lhe percorreram o coração e a alma.
Fora de si, o filho telefonou à irmã, que vivia em Coimbra e esta, ao saber da novidade, explodiu ao telefone: - Só faltava mais esta! Eles não se vão separar nada. Eu vou já tratar disso!".
Agarrou no aparelho e ligou de seguida para casa dos pais. O telefone retiniu e, quase de imediato, o pai atendeu. Não tinha saído de perto dele, como se adivinhasse que ele soaria tocar a qualquer instante. A filha, desaustinada e aos berros, exclamou: -"Vocês não podem divorciar-se. Com tantos anos de casados, a aturar-se durante tanto tempo um ao outro, não é agora que vão cometer um disparate destes. Não faz sentido! Não façam nada, enquanto eu não chegar aí. Eu vou ligar novamente para o meu irmão, e amanhã estaremos aí os dois, sem falta. Até lá, não façam nada, ouviram?". E desligou a chamada.
Então o pai, virando-se para a esposa, que continuava deitada na cama, disse: -"Pronto, está tudo resolvido, minha querida! Eles vêm cá amanhã, para passar o dia de Natal connosco!"
Ela voltou-se para ele, olhou-o profundamente nos olhos e percebendo a astuciosa artimanha que tinha preparado aos filhos, abraçou-o. Nova lágrima lhe despontou na face, mas, desta vez, fruto da alegria que a inundava. Iriam passar o Natal com quem mais gostavam. Poderiam rever os filhos, os netinhos adoráveis e gozar, de novo, um inesperado, mas feliz Natal, em família.

Adaptação de um texto de autor desconhecido